1958
A trajetória de Paulo Moura como arranjador ganha qualidade cada vez maior. Devido à grande quantidade de solicitações de arranjos para os cantores da Rádio Nacional, o maestro Moacir Santos começa a dividir a tarefa com seu aluno, Paulo Moura. Logo depois, segue aprimorando-se como arranjador com o Maestro Cipó.
Paulo Moura recebe o convite para levar uma orquestra em turnê pela URSS. Durante a Guerra Fria havia vários simpatizantes da causa comunista na Rádio Nacional. No entanto não era fácil manter um intercâmbio entre Brasil e Rússia. Os músicos e cantores temiam o “ fichamento pela censura”, o que os impediria de obter, posteriormente, um eventual visto americano, e “ fazer a América” como a maioria sonhava. Por isso houve dificuldades na formação de um grupo de músicos para acompanhar os cantores Nora Ney, Jorge Goulart, Dolores Duran, Maria Helena Raposo na excursão pelo território soviético. Paulo Moura resolve enfrentar o desafio: torna-se diretor musical e regente da jazz band com 3 trompetes, 2 trombones, 1 flauta, 5 saxofones, 15 violinos, 3 violas, 2 cellos, bateria, piano, baixo e guitarra, com arranjos de Radamés Gnatalli, Maestro Gaya e de sua própria autoria.
O sax tenorista Moacyr Silva, seu colega na orquestra do Maestro Zaccharias, havia gravado um LP só com standards americanos pelo selo Musidisc, acompanhado por piano, baixo e bateria. Um sucesso nas vitrolas em festas de casa de família, que sem recursos de contratar as grandes orquestras, deliciavam-se dançando aos pares ao som de Bob Fleming, pseudônimo que a gravadora sugeriu, para “americanizar” o seu produto fonográfico. No retorno da Rússia, é a vez de Paulo Moura, seguir este mesmo caminho: grava seu primeiro LP autoral pela RCA Victor, “Sweet Sax”, sem aceitar , no entanto, usar um pseudônimo americano. Os arranjos são dos Maestros Cipó, Gaya, Moacir Santos e Nelsinho: ‘Nel blue de pinto di blue’, "Temptantion", ‘Out of nowhere’ e temas do musical ‘My Fair Lady’ são alguns dos hits do momento que fazem parte do repertório.

1959
"Paulo Moura interpreta Radamés Gnatalli" é lançado com composições para sax alto, especialmente escritas para ele pelo excepcional compositor e maestro que o acompanha ao piano, ao lado de Pedro Vidal no contrabaixo, Trinca na bateria e Baden Powell no violão. Paulo Tapajós, diretor da Radio Nacional e da gravadora Continental encarrega-se da produção.
Curiosamente, o lançamento deste LP acontece ao mesmo tempo, no mesmo dia e no mesmo programa de televisão da TV Tupi que o LP "Chega de Saudade" de João Gilberto.
Paulo Moura inicia sua carreira no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Entra por concurso conquistando a vaga de clarinetista em primeiro lugar, apresentando a "Primeira Rapsódia" de Debussy. É o primeiro músico negro erudito do país a ocupar tal posição.

A partir de então é um apaixonado do repertório erudito das salas de concerto, óperas e balés. Toca sob a regência de Eleazar de Carvalho, Karabtchevsky, Stravisnky, Leonard Bernstein, entre outros. Quando o Hotel Copabana Palace convida cantores americanos para seus shows no Golden Room, onde se apresentam com orquestras brasileiras arregimentadas por Moacir Silva, Paulo Moura é o músico líder, acompanhando Lena Horn, Cab Calloway, Nat King Cole, Ella Fitzgerald, Sammy Davis Jr, Marlene Dietrich, entre outros. Devido ao acúmulo de atividades, passa a ter que indicar substitutos para conciliar seus compromissos no Theatro Municipal e nas grandes orquestras populares. Esse dilema irá durar até 1978, quando Paulo Moura se afastará da Orquestra do Theatro Municipal para dedicar-se exclusivamente à carreira solo.
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