1956
Edu da Gaita havia gravado o “Moto Perpétuo” de Paganini, o que era um acontecimento surpreendente em se tratando de instrumento de sopro. Paulo Moura, já confiante em sua técnica na clarineta, busca a partitura original para violino. Desenvolve, então, a técnica de respiração que permitisse o som contínuo. E em suas palavras ( In Paulo Moura, um solo brasileiro, Halina Grynberg Ed Casa da Palavra , RJ,2011:”... o ‘Moto Perpétuo’ é perpetuo por isso, não dá espaço para a respiração do violino, que não precisa respirar é claro, porque quem respira é o violonista. Mas a clarineta só tem som se a palheta vibrar com o meu sopro, e para que brejo vai então o tal do ‘Perpétuo’, respiro ou assopro? Daí que levei pelo menos 15 dias para encontrar um jeito de tocar a musica inteira, de 5 min. de duração. Inventei de acumular o ar nas bochechas, mantendo a palheta vibrando com este ar acumulado no rosto e respirando enquanto exalava. Ou seja um loucura. Tive de levantar peso, correr na areia da Praia de Copacabana, praticar ioga... Valeu. Gravei meu primeiro 78’ rotações, para a CBS. Foi quase uma façanha, que me levou aos programas de Flávio Cavalcanti e Silvio Santos na TV Tupi.”


Essa notoriedade permitiu a Paulo Moura organizar sua primeira orquestra e apresentar-se na Rádio Jornal do Brasil, às segundas feiras à noite. Além dos 5 sax, 4 trompetes e 3 trombones, baixo e piano, a orquestra tinha como destaque o baterista Edson Machado e a guitarra elétrica de Durval Ferreira, admiradores das Orquestras de Zaccarias e de Severino Araújo. Paulo Moura, com apenas 23 anos, escrevia os arranjos, escolhia o repertório e ensaiava músicos que depois se tornariam, como ele, destaques da musica instrumental. Com esta orquestra fez alguns bailes em clubes e cobria as folgas da orquestra do "Dancing Brasil".

Gravou um LP de 33’ no Estúdio da Sinter, que se tornou Phonogram e depois Polygram: "Escolha e dance com Paulo Moura e sua Orquestra de Danças". 

No entanto, observa que buscava um caminho já esgotado - as orquestras para dançar nos moldes americanos do swing como as de Benny Goodman, Artie Shaw e Woody Herman vinham sendo substituídas pelo rock & roll ou músicos em pequenos ‘combos’. Desfaz a sua orquestra e aceita um emprego fixo: músico na Radio Nacional. Os irmãos mais velhos José, Alberico e Waldemar, estavam ali contratados desde o início da década 50.  


1957
É a época do convívio com os grandes maestros arranjadores da Radio Nacional: Lírio Panicalli, Radamés Gnatalli, Leo Peracchi, Guerra Peixe e Moacir Santos. E de músicos como o violonista Menezes, o baterista Luciano Perrone, Chiquinho do Acordeón e Jacó do Bandolim, e o saxofonista e clarinetista Luiz Americano.
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