1952
Neste ano participa da efervescência do jazz no Brasil, com o Maestro Cipó, Dick Farney e K- Ximbinho, sempre como primeiro saxofone nas grandes formações lideradas por eles, seja no Theatro Municipal ou no Copacabana Palace. O Maestro Cipó criava arranjos privilegiando os trompetes nos agudos, o que produzia um efeito brilhante, inspirado em Dizzy Gillespie e Stan Kenton, enquanto o K-Ximbinho escrevia os seus arranjos de uma maneira mais suave, usando instrumentos como violoncelo e oboé, meio cool jazz. Dick Farney, grande pianista, preferia o estilo de Dave Brubeck. Deixa a Orquestra de Oswaldo Borba e as gravações com a Orquestra do Maestro Zaccarias.

O Prof. Jayoleno dos Santos insiste para que Paulo Moura , já graduado em clarineta na Escola Nacional de Música, curse ainda um ano no Conservatório de Música de Niterói para obter o diploma de Professor de Clarineta. 

Em concursos promovidos por Paulo Santos, apresentador dos programas "Concertos Sinfônicos" e "Em tempo de Jazz" da Radio Mec, Paulo Moura é premiado como melhor clarinetista e melhor saxofonista. Assim, em dois anos seguidos, sob a produção de Paulo Santos, participa da gravação dos LPs: "Em tempos de Jazz" I e II.

1953
Após a série de shows com Ary Barroso, no Teatro Lírico da Cidade do México, sua primeira viagem internacional, com duração de dois meses, segue para Nova Iorque na esperança de encontrar Charlie Parker, de quem seguia o estilo. Termina fazendo amizade com o trompetista Dizzy Gillespie que o recebe em sua casa em Corona Plaza, subúrbio de New York.

Desenvolve-se no bebop, um estilo que incorporou elementos do impressionismo francês na harmonia, e onde as acentuações rítmicas do solo eram executadas com acentos deslocados, diferenciando-se do swing que o antecedeu, com Benny Goodman, Count Basie e Duke Ellington. Na volta ao Rio de Janeiro, retoma os estudos de clarineta para diplomar-se na Escola Nacional de Música.

Paulo Moura apura seu gosto pelo jazz e ensaia nas tardes de sábado, em sua casa, na Rua Barão de Mesquita, onde irá reunir um grupo de músicos instrumentais. O pianista João Donato faz as composições e Paulo Moura trabalha com os sopros. Johnny Alf comparece para mostrar algumas inovações musicais como a canção "Rapaz de Bem". A Bossa Nova ainda não tinha estourado, mas já se anunciava no meio musical. Johnny Alf, que acabara de gravar seu primeiro disco solo, lhe dava notícias sobre um arranjador muito bom, e então ainda desconhecido, Tom Jobim.

Paralelamente a essas incursões pelo jazz nacional, Paulo Moura toca nas orquestras dos Táxi Dancings: Os mais importantes ficavam no subsolo do Edifício São Borja, na Cinelândia. Lá os deputados federais (o Rio de Janeiro ainda era a Capital) e seus assessores dançavam com as damas da noite, as táxis-girl. Os frequentadores do dancing recebiam um cartão que ia sendo picotado pelas damas. Quanto mais tempo dançassem mais pagavam ao gerente e às damas. Este era o espaço do segundo escalão, porque o primeiro, o dos senadores, se encontrava na Boite Vogue.  

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