Fibra
Equipe, 1971


01. 02:35  Fibra      
02. 03:26  Ana Lia's Blue      
03. 02:58  Filgueiras      
04. 03:33  Samba de orfeu      
05. 03:04  Tema dos deuses      
06. 03:30  Vera Cruz      
07. 03:20  Aquarela do Brasil      
08. 02:47  Cravo e canela      
09. 02:50  General da banda      
10. 03:16  Bitucadas nº2      


Fibra é um disco que, novamente, se dirige a um público seleto, onde Paulo Moura, agora sem concessões, mais uma vez afirma sua sofisticada personalidade musical. Até hoje o tema que dá nome ao LP é presença constante de compilações internacionais de sua obra. Fibra
Equipe

Realização: Oswaldo Cadaxo
Assessoria técnica: Alberto Soluri
Gravação: Luigi, Walter e Ary Perdigão

Capa: Adilson Santos

Lay-out: Joselito

Remasterizado em 2007
Produtor Fonográfico Atração Fonográfica
Direção Geral Wilson Souto Jr
Direção Executiva Ana Maria T. Mendez
Coordenação Geral Ana Maria T. Mendez e Wilson Souto Jr
Produção Executiva Cristiano Stern
Foto Luciana Whitaker
Projeto Gráfico Sivanir Batista
Masterização Turbo Mastering

Fibra
Paulo Moura

A procura do sucesso está, atualmente, muito ligada aos dados estatísticos, tornando confusa a noção da verdadeira realização profissional.

É comum dizer-se que um artista realizado é o que conseguiu um grande público aliado ao sucesso financeiro.

A maioria porém esquece que além dos artistas das paradas de sucesso existem outros que traduzem os anseios de um público selecionado.

O objetivo dêsses artistas não é o de alcançar uma grande audiência dispersiva, e sim um público reduzido, porém consciente.

Como certa vez disse Coltrane: "Dentre as forças que nos cercam eu quero a fôrça oposta. Eu quero a força que é verdadeira para sempre".

Na verdade, surgem constantes solicitações ao músico, procurando atraí-lo para uma realização mais fácil e cômoda.

Coltrane é um exemplo da não concessão aos apêlos fáceis, preferindo interiorizar-se num lento e penoso itinerário, atingindo os extremos de uma realização artística.

O músico brasileiro vem vencendo várias etapas na sua evolução. O interesse de grandes nomes em gravar com nossos instrumentistas, é hoje um marco importante. Esse crescente interêsse nos dará maior oportunidade de atingir um prestígio internacional que deverá repercutir favoravelmente em nosso meio.

Aqui ainda são raras as oportunidades que tem o solista de mostrar suas possibilidades.

Quando elas surgem, o músico não é bem compreendido, apesar de seus esforços em conciliar a música brasileira com a música de alcance universal.

Em virtude dêste problema o músico vai se tornando descrente, evitando até de falar sôbre música. Vai sendo arrastado gradativamente para um tipo de trabalho que não corresponde aos seus ideais.

Isto é o que se sente quando se conversa ali no ponto dos músicos. É no guáco, entre um cafézinho e outro, que se pode perceber quanto o músico em formação anseia por ouvir ao vivo um solista categorizado.

Raríssimas vêzes, como se sabe, existe apresentação de instrumentistas em programas de televisão. Já existe interesse do governo em dar maior divulgação ao músico brasileiro, inclusive tenho participado de algumas dessas iniciativas através da Rádio Ministério da Educação. Mas o nosso grande público ainda não está habituado a ouvir com atenção um solo instrumental ou a um cantor de alto nível artístico: os programas são levados a uma atmosfera tão excitada que não permite a inclusão de um número mais elaborado.

Alguém pode dizer que seria o caso do músico procurar fazer alguma concessão, caso queira ser entendido.

Quando perguntaram ao trompetista Waldir de Barros "porque o músico não canta", ele respondeu: - "E por que o cantor não toca?"

O artista consciente, que, dia a dia vem procurando aperfeiçoar seus conhecimentos, fatalmente se distancia de um gosto médio. Nem mesmo saberia como fazer as tais concessões que lhe são solicitadas.

Lembramos aqui o que nos disse o grande compositor norte-americano Charles Yves:

"- Não sei compor para ouvidos preguiçosos."

Dentro da minha vivência neste assunto, trago as seguintes opiniões de músicos que enfrentam a mesma problemática.

"O músico brasileiro deveria perder a vaidade e ser mais solidário com seus colegas. Deve orientar-se, conhecendo seu meio ambiente e o que se faz no mundo inteiro. Quero ouvir e aprender porém não tenho chance."
Edison Machado

"Aceito a música jovem, sem gritarias, onde o músico possa mostrar suas qualidades de solista.
Tenho me empenhado bastante para que sejam realizados programas com instrumentistas em TV"
Cipó

"Vou mudar de profissão. (Abrirei uma portinha)
Não me interessam os convites vindos do exterior. Estou em boa forma, mas não tenho tido oportunidade para me apresentar. Apesar disso não gostaria de abandonar o país."
Casé

"A música instrumental é mais difícil de ser entendida – o som é abstrato. Daí a necessidade do grande público de se apegar à palavra que é mais concreta."
Leonardo Luz

"O músico brasileiro é vítima de uma trindade assassina com a qual luta desesperadamente: o ensino musical deficientíssimo, o trabalho mal remunerado e a falta de intercâmbio interno e externo. A esses fatores negativos, soma-se ainda a falta de incentivo do grande público.
Resta-nos, contudo uma arma: o amor à música"
Nelson Macedo

"O mais recente lançamento de Paulo Moura é este LP "Fibra", onde o notável instrumentista se apresenta num estilo ainda mais original. Destaca-se a gravação, não só pela beleza da interpretação de Paulo Moura, bem como pelos arranjos ousados que ele e Wagner Tiso imaginaram. Ao mesmo tempo que Paulo Moura lança no Brasil este seu novo disco, nos Estados Unidos é lançado "Mensagem" pela Tangerine."
Fernando Lobo

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